segunda-feira, 25 de abril de 2011

Quem perdeu nossa coragem?

   Ao revirar meu blog, me deparei com inúmeros rascunhos. Todos inacabados, alguns em branco, outros incompletos, outros precisando de apenas um desfecho para que finalmente se tornassem textos. E assim eles permanecem; inacabados, intocados e imaculados como todos os outros rascunhos negligenciados.
   E algumas histórias são assim. Permanecem em branco tendo como sinopse a possibilidade, a vontade de se tornar real. Outras permanecem incompletas esperando apenas que seus protagonistas a encaminhem da forma que preferirem. Há também a história bem escrita, limpa e clara que depende apenas de um bom desfecho para que possa deixar de ser um mero rascunho. E existe a história que se deslancha naturalmente desalinhada, bonita e malcriada: possui um belo começo, mas o enredo vai se perdendo, vai se complicando, a coerência se esvai e assim, não se sabe o que fazer para redigir um belo final.
   Algumas histórias só permanecem rascunhadas num papel jogado no canto da mesa por medo. Medo de que aquele rascunho se torne história, medo de ter que completar, medo de escolher um caminho e não poder voltar atrás. E não sei que medo é esse que a gente tem dos rascunhos do dia-a-dia. Rascunhos são apenas rascunhos, são os caminhos possíveis e, caso a gente não goste do desfecho, a gente pode reescrevê-lo. Se não gostarmos da história, podemos apagá-la ou guardá-la para utilizar como base no próximo rascunho, para que a história que está por vir seja mais interessante, intensa e verdadeira. E se não fôssemos tão acomodados, ressabiados e mesquinhos, o número de histórias escritas por cada um seria infinitamente maior ao número de rascunhos perdidos no tempo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário